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O pessimismo sem fim da Faria Lima. Expectativas frustradas? O que explica o mau humor da Faria Lima após a vitória de Lula

Foto do escritor: André Procópio de Brito Franco
André Procópio de Brito Franco
há 14 horas
2 min de leitura

Depois de desmontar apostas na vitória de Flávio, bancos e gestoras projetam juros elevados, investimento estagnado e crescimento inferior a 1% em 2027

Por Machado da Costa

Avenida Faria Lima, em São Paulo: a taxação de dividendos impacta o centro financeiro do país (ADVTP/Shutterstock)
Avenida Faria Lima, em São Paulo: a taxação de dividendos impacta o centro financeiro do país (ADVTP/Shutterstock)

A reeleição do presidente mudou as expectativas de parte dos investidores, que demonstram receio com a política fiscal e o comportamento do dólar


A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou frustração e preocupação entre integrantes do mercado financeiro ligados à Faria Lima, região de São Paulo que se tornou uma referência para bancos, gestoras de investimentos e agentes do setor. Em grupos privados de mensagens aos quais o ND Mais teve acesso, participantes lamentaram a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) e fizeram projeções pessimistas para a economia, incluindo a possibilidade de juros mais altos.

O mau humor também apareceu nos indicadores financeiros. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, e o dólar comercial subiu 8,21%, encerrando o dia a R$ 5,403. A queda da Bolsa levou ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de perdas acentuadas. Foi a maior queda diária do índice desde março de 2020.


A reação, no entanto, não se resume à rejeição política ao presidente reeleito. Entre as principais preocupações dos investidores estão a trajetória das contas públicas, o crescimento da dívida, as perspectivas para os juros e a escolha da equipe econômica do próximo mandato. Também pesou a reversão das apostas de parte do mercado, que havia se posicionado esperando uma vitória de Flávio Bolsonaro.


O cenário eleitoral ajuda a explicar a intensidade da reação. Após o primeiro turno, a Bolsa havia subido e o dólar recuado, em um movimento associado à expectativa de vitória da oposição. Com a confirmação da reeleição de Lula, investidores precisaram rever posições e estratégias.


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também atribuiu a turbulência à reversão dessas apostas. Em declaração na terça-feira (27), ele afirmou que o mercado havia apostado na vitória de Flávio e precisou ajustar posições após o resultado. Além das preocupações com a política econômica, a mudança inesperada de cenário provocou uma correção rápida nos preços dos ativos.

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